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Semana Nacional de Prevenção

da Gravidez na Adolescência

O dia 1º de fevereiro foi instituído em 2019, para marcar a o início da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) identifica a gravidez na adolescência como um grave problema de saúde pública e um fator que predispõe para a perpetuação da pobreza.

 

Um relatório da Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e outros órgão internacionais, publicado em 2018 apontam que a América Latina e o Caribe continuam apresentando a segunda maior taxa de gravidez adolescente no mundo. A taxa mundial de gravidez adolescente é estimada em 46 nascimentos para cada 1 mil meninas entre 15 e 19 anos, enquanto a taxa na América Latina e no Caribe é de 65,5 nascimentos. No Brasil, essa taxa é de 68,4 nascimentos para cada 1 mil adolescentes.

 

Para conseguir a diminuição da gravidez na adolescência é fundamental realizar ações integradas na família, na educação e na saúde.

 

A família deve preparar-se para conversar abertamente com as crianças e adolescentes sobre a sexualidade, entendendo que sexualidade não significa sexo! A família deve aprender que ela tem um papel importante no desenvolvimento da autonomia, na autoestima e na tomada de decisões dos e das adolescentes para a construção de seus projetos de vida.  Também tem um papel importante para educar meninos e meninas para a igualdade de gênero, o respeito das diversidades e os valores universais como liberdade, solidariedade, justiça, ética, honestidade, respeito, amor, paz.

 

A educação precisa incorporar a Educação Integral em Sexualidade para contribuir com o desenvolvimento do autoconhecimento, da autoestima, da autonomia e das competências sócio emocionais dos e das adolescentes. Os/as educadores/as precisam aprender e se preparar para saber como estimular o pensamento crítico, promover o respeito, combater o Bullying, a violência e a discriminação entre os/as adolescentes. Educadores/as também devem realizar ações para combater o machismo e educar para a igualdade de gênero, o empoderamento das mulheres e a construção de novas masculinidades entre os homes. Meninas empoderadas poderão exigir relações sexuais protegidas, poderão se proteger das relações forçadas pelo machismo e os homens com novas masculinidades aprenderão que evitar uma gravidez na adolescência é também responsabilidade deles.  Meninas e meninos educados na igualdade de gênero saberão que evitar uma gravidez na adolescência é responsabilidade de ambos, que decidir quando iniciar a vida sexual é seu direito, mas esse direito implica o dever de que a decisão deve ser pensada, devem estar preparados/as e deve ser com proteção para evitar uma gravidez e uma IST/HIV-Aids.

 

Estudos já comprovaram que quando a educação integral em sexualidade é realizada nas escolas se retarda a iniciação sexual, e quando essa educação integral inclui o foco de gênero e direitos sexuais e reprodutivos, há uma diminuição da gravidez e das IST/HIV-Aids. Consequentemente, também há menos abandono escolar e adolescentes podem realizar seus projetos de vida que incluem a continuidade nos estudos com sucesso e posteriormente o ingresso no mercado de trabalho. Estudos também mostraram que os programas que promovem o sexo somente depois do casamento e a abstinência sexual como a melhor alternativa para diminuir a gravidez na adolescência, fracassaram no seu objetivo de diminuir a gravidez. O direito de decidir quando iniciar a vida sexual e com quem iniciar, leva implícito que a abstinência é uma escolha, não uma imposição. Adolescentes estão tomando decisões e essas decisões incluem ter relações sexuais. O que a Educação integral em sexualidade faz é ensinar a que essas decisões sejam pensadas, refletidas e se decidem ter relações, as mesmas devem ser com proteção. O uso de anticoncepção é seu direito. 

 

Os serviços de saúde têm a responsabilidade de informar, orientar e ter os métodos anticoncepcionais disponíveis para que adolescente possam exercer seu direito de escolher qual método podem utilizar para evitar uma gravidez nesse período de adolescência que pode afetar negativamente seus projetos de vida.

 

A Reprolatina, na Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, reafirma seu compromisso de continuar lutando para que adolescentes e jovens conheçam seus direitos sexuais e reprodutivos e se preparem para poder exercer esses direitos com responsabilidade e informação. Também convida a todas e todos a se engajarem em ações para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), principalmente o ODS 3 - Saúde e Bem Estar e a meta 3.7- Até 2030, assegurar o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planejamento familiar, informação e educação.

 

Fontes:

https://nacoesunidas.org/taxa-de-gravidez-adolescente-no-brasil-esta-acima-da-media-latino-americana-e-caribenha/

https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/abstinencia-sexual-na-adolescencia-o-que-a-ciencia-evidencia-como-metodo-